Em execução
To all my beautiful demons
O que é a ausência? De que forma lidamos com a ausência daqueles de quem mais gostamos? A ausência daqueles que nos são mais próximos é muitas vezes uma inevitabilidade, outras vezes é uma necessidade, uma forma de reacção a situações que nos fogem do controlo... A família é uma inevitabilidade, algo a que não podemos fugir, faz parte de nós, cresce connosco, diverge de nós, escapa-nos, controla-nos, sofre por nós e muitas vezes faz-nos sofrer. A forma como lidamos com o sofrimento causado por aqueles que nos estão mais próximos é sempre complicada e toldada por anos de convivência e por laços estreitos de familiariedade. ‘To all my beautiful demons’ é uma reflexão pessoal sobre o falhanço das relações intrafamiliares, uma visão intima e introspectiva sobre eventos ocorridos no início de 2011 na minha vida pessoal, uma forma de olhar para esses eventos de uma forma visual, onde a introspecção e a ausência fossem os pontos focais desse trabalho. Do passar do tempo sobre as questões que estão sempre presentes: onde errei? onde erramos? o que poderia ter sido feito e dito? Após a destruição de laços familiares o tempo muitas vezes força o esquecimento e a negação mas é um facto que nunca esquecemos, nunca deixamos de acreditar. É a questão de manter em back-log as conversas que se deveriam ter tido ou as acções que deveriam ter tomado que mina a solução mesmo que ela esteja em frente a nós. A transformação, a assumpção da ausência, a sua gestão mas sobretudo a assumpção da solidão como forma de estar e de ser, o não enfrentar o medo, o medo puro de tudo e das pessoas é a razão das imagens deste projecto. O que aqui vêm não são só as fotografias, é o eu, o medo colado a mim, a solidão e a ausência...
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